Metodologia

Tudo aqui vem do registro oficial do mandato.

Comparamos a sua opinião sobre cada proposição com o voto que o deputado registrou no plenário, e reunimos no perfil de cada um o que a Câmara publica sobre a atuação do mandato. Ler bem esses números depende de saber o que entra na conta e o que fica de fora.

Proposição é o nome oficial do que o resto do site chama de proposta: projeto de lei (PL), proposta de emenda à Constituição (PEC), medida provisória (MPV) e os demais tipos que a Câmara vota. Esta página usa o termo oficial porque é ele que você vai encontrar no portal da Câmara.

A comparação de votos

De onde vêm os dados

Tudo vem dos Dados Abertos da Câmara dos Deputados: as votações nominais, o histórico de exercício de cada deputado, a cota parlamentar, os discursos, os vínculos com comissões e as proposições assinadas. Cada proposição e cada votação mantém o número oficial da Câmara, então você pode conferir qualquer item na fonte, com link para a consulta pública sempre que ela tem o detalhe disponível.

Dados Abertos da Câmara dos Deputados

O que entra na base

Consideramos apenas a Câmara dos Deputados e apenas votações nominais de plenário, aquelas em que o voto de cada deputado fica registrado. Votações de comissão ficam de fora, porque lá só os membros votam e a comparação ficaria distorcida; votações por aclamação também, porque não registram voto individual.

A base cobre as votações nominais realizadas de 2015 até agosto de 2026. O recorte é pela data da votação, não pela idade da proposição: uma proposição mais antiga aparece se foi votada nesse período.

Como a concordância é calculada

Para cada proposição, você responde se ela deveria ser aprovada: Sim, Não ou Não sei. A resposta Sim concorda com o voto sim do deputado, e a resposta Não concorda com o voto não, não importa se a proposição foi aprovada ou rejeitada no fim. Não sei é desconsiderado. Uma comparação usa de 3 a 30 proposições, com pelo menos 3 respostas válidas.

Abstenção e obstrução (quando o deputado participa da votação, mas não vota sim nem não) contam como discordância, e o voto real continua aparecendo na tela. A ausência de quem estava em exercício também conta como discordância: a fonte não distingue falta justificada de injustificada, e premiar a ausência contradiz a ideia de cobrar o comportamento real. Também ficam de fora da conta as votações de quem não estava em exercício na data, por licença, suplência inativa ou fim de mandato, e os registros de impedimento regimental que a Câmara marca como Artigo 17.

Quem entra na comparação

Por padrão, o resultado mostra os deputados do estado que você informou. Você pode trocar o alcance para o Brasil inteiro a qualquer momento, sem refazer as respostas.

Também por padrão, entram tanto quem está em exercício hoje quanto quem votou no período mas já deixou o mandato, porque o histórico de voto de ambos é igualmente real. O filtro de apenas em atividade restringe a lista a quem está em exercício, e é a escolha certa quando você quer usar o resultado para decidir um voto.

Deputados cuja última legislatura é anterior à 51ª, iniciada em 1999, não existem no Quem Vota Comigo: a Câmara só publica arquivos de votos a partir de 2001, e um perfil sem nenhum voto registrado não teria o que comparar.

Qual votação representa cada proposição

Uma proposição costuma passar por várias votações. Escolhemos a que decide o mérito (o texto-base, o substitutivo ou a medida provisória) e ignoramos requerimentos, destaques, preliminares e redação final, que não representam sozinhos a decisão de fundo.

Como ler o resultado

O percentual deve ser lido junto da amostra comparável: quantas das suas respostas puderam de fato ser comparadas com aquele deputado. Uma concordância alta sobre poucas votações diz menos do que uma concordância parecida sobre muitas.

Por isso a ordem do ranking não usa só o percentual bruto. Ela usa o limite inferior do intervalo de Wilson, que evita que um 100% obtido em pouquíssimas votações apareça acima de um resultado com amostra maior e mais confiável.

Se alguma proposição pesa mais para você do que as outras, o filtro de concordância deixa marcar essas proposições e reduzir a lista a quem concordou com você em todas elas. Ele muda quem aparece, não o percentual de cada um. Uma lista vazia com o filtro ligado é uma resposta legítima: significa que nenhum deputado daquele alcance votou como você naquilo. Esse filtro não vai para o endereço da página, de propósito, para que o link ou uma captura de tela não revelem a sua posição sobre uma proposição específica.

O perfil e o comparativo

Resumos por IA das proposições

O texto legislativo é difícil de ler, então algumas proposições trazem um resumo gerado por inteligência artificial, sempre identificado como tal. Quando a proposição tem inteiro teor publicado, o modelo lê o PDF oficial completo; quando não tem, o resumo se apoia na ementa, na ementa detalhada e nas palavras-chave da própria Câmara.

Nenhum resumo aparece automaticamente: cada um passa por revisão humana antes de ser publicado, e volta para revisão quando o texto oficial que o originou muda. O resumo é um apoio de leitura e pode conter imprecisões; a ementa oficial e o inteiro teor continuam ao lado dele, e são eles que valem.

Presença registrada

A presença mostrada no perfil e no comparativo não é a presença parlamentar oficial. Ela conta apenas as votações nominais de plenário que entram na nossa base, dentro da legislatura indicada na tela.

Cada votação daquele recorte cai em um de quatro casos: o deputado votou, faltou sem motivo conhecido, estava fora de exercício (licença, suplência inativa ou fim de mandato) ou o dado não existe na fonte. O percentual divide as presenças pelas votações em que ele estava em exercício, então quem assumiu no meio da legislatura não é penalizado pelo período em que não era deputado.

Proposições assinadas e comissões

Proposições assinadas conta as proposições apresentadas no ano em que o deputado aparece entre os autores, seguindo o mesmo critério do portal da Câmara: vale qualquer assinatura, e o recorte é a data de apresentação da proposição. Documentos e ofícios ficam de fora por não serem proposições legislativas. Autor principal é o subconjunto em que ele assina em primeiro lugar.

O número não mede qualidade nem resultado: uma proposição assinada pode nunca ter sido votada. Relatorias não entram, por não estarem disponíveis nos dados abertos que usamos.

Comissões e outros órgãos listam os vínculos registrados no ano selecionado, com o cargo exercido em cada um.

Gastos da cota parlamentar

Os gastos vêm do arquivo de despesas da cota publicado pela Câmara, por deputado e por ano. O que a cota é, como funciona o teto por estado e por que o gasto de um mês pode passar do limite mensal está explicado ao lado dos próprios números, no perfil e no comparativo.

O que importa saber antes de comparar valores é o alcance dos dados. A base cobre 2015 em diante, e o ano corrente aparece sempre parcial, até o mês publicado pela Câmara. Passagens aéreas emitidas pelo SIGEPA deixaram de constar nessa fonte a partir de agosto de 2025, então o total exibido pode ficar abaixo do informado pela Câmara; quando isso afeta o ano na tela, o aviso aparece junto do valor.

Quem não exerceu o mandato durante o ano inteiro fica sem comparação com a mediana do estado, porque um mandato de poucos meses gasta menos por construção e a comparação diria mais sobre o calendário do que sobre o gasto.

Ordenação por menor uso da cota

Essa ordenação usa o percentual da cota consumido no último período de mandato analisado: 100 × gasto do período ÷ limite mensal de referência acumulado. Somamos gastos e limites antes da divisão, sem fazer média de percentuais anuais. Cada resultado informa as datas do período e quantos dias o deputado esteve efetivamente em exercício.

O gasto segue a competência financeira informada pela Câmara em numAno e numMes, não a emissão do comprovante nem o pagamento da restituição. Débitos, cancelamentos e restituições de toda a legislatura entram até o último mês coberto, inclusive ajustes lançados em meses sem exercício.

O limite mensal de referência soma uma vez cada mês tocado por um intervalo de exercício, usando a UF histórica daquele período e o limite vigente no primeiro dia do mês. Não há proporção por dia: a quantidade de dias aparece como contexto, mas não altera o limite do mês. O ano corrente termina no mesmo último mês coberto usado para o gasto; ausência de gasto só vale como zero quando a cobertura comprova que o período foi carregado.

Passagens aéreas SIGEPA só entram quando a reposição do ano está completa. Se faltarem cobertura, intervalo confiável, UF, limite ou reposição, o uso fica indisponível e o deputado continua na lista depois dos resultados calculáveis.

O limite mensal de referência é o valor regular definido para a UF e não contém adicionais ligados a alguns cargos e funções. Por isso um percentual acima de 100% não indica, por si só, irregularidade. Valores negativos também são preservados, pois restituições e cancelamentos podem superar os débitos do período. A métrica descreve uso da cota, não qualidade, produtividade ou desempenho parlamentar.

Comparativo entre deputados

O comparativo põe lado a lado até quatro deputados. Cada coluna usa como janela a legislatura em que aquele deputado esteve em exercício pela última vez, e não um período fixo igual para todos. Comparar o mandato atual de um com o mandato encerrado de outro continua possível, mas a tela avisa quando as janelas são diferentes, porque números de períodos distintos não se somam.

As médias por ano dividem pelo tempo efetivamente coberto pelos dados, não pelo número de anos do calendário. Um ano corrente que só tem dados até agosto conta como fração, para não rebaixar artificialmente a média de quem está no meio do mandato.

Deputados cuja última legislatura é anterior à 55ª, iniciada em 2015, ficam fora do comparativo: a cobertura de votações, cota e medianas começa ali, e não haveria o que colocar nas linhas.

Transparência

O que acontece com as suas respostas

As suas posições não são guardadas. Elas ficam no seu navegador enquanto a aba estiver aberta, para que você possa voltar um passo ou recarregar a página sem perder o progresso, e são enviadas ao servidor apenas no momento de calcular o resultado, sem ficarem registradas lá.

Do uso da comparação, guardamos apenas duas contagens sem dono: quantas proposições foram selecionadas e quantas foram respondidas, com a data. Nenhuma posição declarada, nenhum estado informado, nenhum endereço de IP e nenhum identificador que permita reconhecer você depois. Também usamos medição de audiência agregada para saber quais páginas são acessadas, sem perfil individual.

Limites

O resultado ajuda a ler comportamento parlamentar registrado, mas não resume tudo sobre um deputado ou uma proposição. Use a concordância como ponto de partida para avaliar o histórico de voto, não como conclusão automática.

  • A concordância não mostra o que o deputado pensa. Ela mostra se o voto registrado na votação usada como referência coincidiu com a sua posição.
  • A presença exibida no perfil não é a presença parlamentar geral. Ela considera somente votações nominais de plenário das proposições que entram na nossa base.
  • Uma proposição pode ter várias votações. Escolhemos uma votação para representá-la, priorizando decisões sobre o mérito da proposição. Essa escolha segue uma regra pública, mas pode não capturar todas as nuances do processo legislativo.
  • Nem toda proposição da Câmara aparece no site. Entram apenas proposições com votação nominal em plenário e uma votação que possa representar a decisão principal sobre ela.
  • O cálculo olha a votação de referência, não todas as votações ligadas à proposição. Quando um deputado fica fora do ranking, isso não prova que ele faltou a todas as votações das proposições selecionadas; significa que não houve votos comparáveis suficientes nas votações que usamos.
  • Quando não há voto registrado para um deputado que estava em exercício, tratamos como ausência sem motivo conhecido. Os Dados Abertos da Câmara que usamos não permitem separar uma ausência comum de uma ausência justificada.
  • Quando o histórico oficial indica que o deputado estava fora de exercício, por exemplo por licença, suplência inativa ou fim de mandato, essa votação fica fora do cálculo daquele deputado.
  • Contagens de atuação, como proposições assinadas e discursos, medem atividade registrada, não relevância nem resultado. Um número alto não significa melhor desempenho.
  • Gasto de cota dentro do teto não atesta regularidade, e passar do teto exibido não indica irregularidade: a comparação usa a tabela por estado, sem os adicionais mensais previstos para alguns cargos.
  • Os resumos por IA são apoio de leitura revisado por pessoas, não texto oficial. Em caso de divergência, vale o inteiro teor publicado pela Câmara.